🌐 C2EA contratado para realização de Workshop de Economia Azul em Angola

O Governo de Angola – Ministério das Pescas e Recursos Marinhos (MINPERMAR) – fomenta a realização de um Workshop de Especialização e Liderança em Economia Azul, a realizar em Luanda.

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O Governo de Angola – Ministério das Pescas e Recursos Marinhos (MINPERMAR) – fomenta a realização de um Workshop de Especialização e Liderança em Economia Azul, a realizar em Luanda.

O evento irá ocorrer nos dias 23, 24 e 25 de junho e deverá contar com a participação de 80 quadros do Governo, instituições públicas e organizações privadas.

Por ocasião do Dia Mundial do Oceano (8 de junho), Carmen do Sacramento Neto – Ministra das Pescas e Recursos Marinhos de Angola – endereçou uma mensagem de elevada consideração a todos os cidadãos:

“O Ministério das Pescas e Recursos Marinhos reafirma o seu compromisso com a gestão sustentável dos recursos pesqueiros, o reforço da fiscalização, a proteção dos ecossistemas marinhos, a investigação científica, o ordenamento do espaço marinho, a inovação, a valorização das comunidades piscatórias, a promoção da literacia do oceano e o desenvolvimento de uma Economia Azul inclusiva, resiliente e geradora de oportunidades.”

O C2EA Centro de Competência em Economia Azul foi contratado para apoiar este importante desígnio, apresentado ao mais alto nível. Para tal irá conduzir o Workshop de Especialização e Liderança em Economia Azul, apresentando e desenvolvendo vários tópicos fundamentais, agrupados em três blocos: (1) Fundamentos e Governança do Mar; (2) Sustentabilidade e Oceano do Futuro; (3) Inovação, Estratégia e Disrupção.


ANGOLA, UMA POTÊNCIA EM ECONOMIA AZUL

Angola é a terceira maior economia da região subsariana do continente africano e a sexta maior economia de África (FMI, 2026).

O país apresenta um elevado potencial para a economia azul, beneficiando de uma extensa faixa costeira com aproximadamente 1 650 km e importantes ecossistemas marinhos e costeiros.

O seu Mar Territorial ocupa uma área de 34 184 km2 e a sua Zona Económica Exclusiva (ZEE) abrange cerca de 495 866 km2 (Marine Regions, 2026). No total, estas duas áreas representam 42,5% da sua área terreste (1 246 700 km2).

O oceano e os seus espaços aquáticos representam um ativo estratégico para o desenvolvimento sustentável, a segurança alimentar, a inclusão social e a diversificação da economia nacional. Entre outras áreas económicas, Angola possui vantagens competitivas e potencial natural no setor das pescas, beneficiando de uma zona costeira com alta produtividade biológica, assim como uma das maiores redes hidrográficas de África.

A agenda política de Angola para a proteção ambiental inclui a criação e conservação de áreas marinhas, como forma de travar e reverter a perda da biodiversidade e a degradação de ecossistemas.

O setor das pescas e aquacultura registou uma taxa de crescimento anual de 12,32% em 2024, indicando a contínua recuperação após o período de recessão da economia em 2016. No mesmo ano, a participação deste setor no PIB registou um aumento significativo, atingindo 2,70%. Particular destaque para a representatividade da aquacultura no setor, registando um crescimento notável, de 0,1% em 2016 para 3,3% em 2024.

Conta Satélite da Economia Azul (CSEA)

A economia marítima tem um peso estrutural determinante em Angola. De acordo com dados preliminares da Conta Satélite da Economia Azul (INE, 2025), em 2023 a economia marítima representou 37,44% do PIB global do país. O setor do petróleo e gás contribuiu com 20,10% do PIB da economia marítima; as pescas e aquacultura com 2,21%; e os transportes e armazenagem com 2,52%.

Visite Angola – O Ritmo da Vida

Angola é considerada uma joia no sudoeste de África, que cativa os visitantes com a sua beleza natural intocada, riqueza cultural e diversidade surpreendente. O sexto maior país do continente africano, Angola combina paisagens espetaculares – de florestas tropicais exuberantes a desertos infinitos. Com o seu novo slogan "Visite Angola – O Ritmo da Vida", o país apresenta-se como um destino de viagem autêntico, para amantes da natureza e entusiastas da cultura.

Em linha com a sua ambiciosa estratégia de desenvolvimento, Angola aposta no turismo como alavanca de diversificação, apelidando-o de “petróleo verde”. O facto de ter sido país anfitrião na edição de 2026 da ITB Berlim – a feira de turismo mais influente do mundo – colocou o país no centro das atenções a nível global.

Para Angola, isto não é uma campanha de marketing — é o anúncio de um novo modelo económico. O turismo como ativo estratégico de longo prazo, num país que precisa de deixar de depender da extração.

O enquadramento estratégico angolano adota um modelo de desenvolvimento por clusters — os Polos de Desenvolvimento Turístico (PDT) — que é metodologicamente coerente com as melhores práticas internacionais. Em vez de dispersar incentivos por todo o território, o Estado concentra infraestrutura básica (estradas, energia, água, telecomunicações) em zonas de elevado potencial, reduzindo o CAPEX inicial do promotor privado e criando economias de aglomeração.


ANGOLA, UMA POTÊNCIA EM JUVENTUDE

A população de Angola tem crescido de forma notável desde 1975, passando de cerca de 6,5 milhões para mais de 35 milhões de habitantes (INE, 2025). À semelhança da grande maioria dos países da região, Angola vive atualmente um boom demográfico que favorece o desenvolvimento económico (bónus ou dividendo demográfico).

Angola terá mais de 38 milhões de habitantes em 2027, representando o seu ativo mais valioso. Uma boa parte dessa população será jovem e metade será feminina.

Atualmente, a sua população é maioritariamente jovem, como se constata pelos dados demográficos do país: 64,2% da população tem menos de 25 anos; e 43,2% tem menos de 15 anos.

A juventude da sua população pode impulsionar o desenvolvimento económico e social.

Porém, os benefícios associados a este bónus demográfico, dependem da adoção de políticas macroeconómicas que incentivem o investimento produtivo, aumentem as oportunidades de emprego e promovam um ambiente social e económico estável, propício ao desenvolvimento sustentável.

Exigem igualmente, investimentos significativos em capital humano, especialmente na educação e na saúde dos jovens, para que a população em idade ativa seja não apenas quantitativamente mais numerosa, mas também qualitativamente mais produtiva.


ANGOLA, UMA ESTRATÉGIA PARA O MAR AMBICIOSA

O Governo de Angola publicou a Estratégia Nacional para o Mar de Angola (ENMA) 2030, através do Decreto Presidencial n.º 183/22 de 22 de julho.

A ENMA apresenta sete objetivos estratégicos (OEG), que entrosam as visões setoriais numa perspetiva holística de política marítima integrada e alicerçando a visão projetada para 2030:

1- Fomentar e diversificar a economia marítima

2- Aumentar o emprego e qualificação profissional no mar

3- Otimizar os meios, instrumentos e mecanismos de segurança e vigilância marítima

4- Promover o conhecimento científico, desenvolvimento tecnológico e cultura dos oceanos

5- Promover e garantir o bom estado ambiental do meio marinho e a gestão sustentável dos recursos biológicos

6- Otimizar o modelo de governança do espaço marítimo e a coordenação intersectorial

7- Reforçar o papel de Angola no contexto internacional e regional nas políticas marítimas

Aos 7 objetivos estratégicos (OEG) correspondem 72 objetivos específicos (OE) sectoriais, as respetivas medidas (ME), metas (MT) e ações (AC), condensadas no Plano de Ação da ENMA.


ANGOLA, UMA ESTRATÉGIA DE LONGO PRAZO

De acordo com dados do Banco Mundial, em 2025, o petróleo representou cerca de 20% do PIB de Angola, 60% das receitas fiscais do Governo e 95% das exportações.

Publicada em 2023, a Estratégia Angola 2050 apresenta uma visão clara do rumo a seguir e dos objetivos a alcançar, apresentando previsões importantes e fundamentais.

De acordo com uma apresentação resumida da Estratégia, em 2050, o setor do petróleo e gás – atualmente o principal motor da economia – irá valer apenas 1/3 do valor registado em 2022 (cai de 38% para 12% do PIB global).

Prevê-se, ainda, que a economia não petrolífera venha a ser quase 4 vezes superior em 2050 do que é em 2022, resultando num crescimento médio anual de aproximadamente 4,5%, implicando uma grande transformação económica no país.

O crescimento económico não petrolífero será transversal, sendo os sectores da indústria e agricultura e pecuária os grandes motores de crescimento. Prevê-se que a indústria cresça mais de 7 vezes a partir de 2022, representando 20% do PIB em 2050. Prevê-se ainda que os setores da agropecuária, silvicultura e pescas cresçam mais de 4 vezes, representando 22% do PIB em 2050.

Em termos de recursos humanos, a Estratégia Angola 2050 preconiza a expansão, de forma inclusiva, não desperdiçando talento, na investigação e na formação pós-graduada em áreas cruciais para o desenvolvimento do País – nomeadamente STEM , TIC, economia digital, saúde e biotecnologia – e em sectores onde pode capitalizar sobre os seus recursos naturais, como a agricultura, silvicultura, economia azul, recursos hídricos e turismo.


O Workshop de Especialização e Liderança em Economia Azul, a realizar nos dias 23, 24 e 25 de junho, em Luanda, constitui o corolário de um longo percurso de investimento e desenvolvimento da economia azul em Angola, conforme evidenciado no texto e fontes apresentadas.

Este evento de capacitação azul, irá permitir aumentar a consciência sistémica de todas partes intervenientes e interessadas, estabelecendo um vocabulário comum e uma visão 360º da economia azul.

A informação setorial, geográfica e institucional – normalmente fragmentada na economia azul – passará assim a estar sistematizada e relacionada, permitindo o envolvimento e a eficaz tomada de decisões, apoiada por uma colaboração continuada – pilar da confiança que urge edificar.

A seleção e contratação do C2EA Centro de Competência em Economia Azul para apoiar este importante desígnio – sinal de confiança do Governo de Angola – constitui motivo de júbilo para a sua equipa, que corresponderá com excelência ao desafio apresentado.